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quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Vamos por isto a andar!!!!

Gostaria de contar com a vossa colaboração para avaliar de melhor forma este fenómeno chamado Concerto a que estamos ligados de forma tão visceral, sendo que a nossa subsistencia feliz ou infelizmente não está a ele ligada ( e quem nos dera que um dia isso fosse possível).
Temos chegado a algumas conclusões que me parecem interessantes, sendo agora a altura de organizarmos as ideias por forma de chegar a um ou dois modelos de concerto que nos interessem:
- Um grupo de música de câmara como o nosso tem várias características que me parecem por um lado libertadoras, como a facilidade de oscilar entre repertórios variados de época e estilo mais ou menos erudito, por outro lado desorientadoras, porque não somos nem nunca poderemos ser um grupo de música antiga, de música popular também não, de música comtemporanea também me perece demasiado limitador... O que somos afinal? Qual o nosso campo de acção previligiado? Qual o nosso público previligiado? Existe sempre uma música que um grupo é vocacionado para fazer e depois outro tipo de música que também "pode" fazer mas não é bem a sua. Qual é a nossa música? Será o nosso campo o da música que também pode fazer sem que exista a referência própria que confere carácter base ao grupo e aos seus concertos?

Qual será o caminho a nível de organização de repertório: A coerência das obras dedicadas, o equilibrio de um concerto variado e menos denso, o brilho de algum virtuosismo?

- Qual é o nosso caminho como músicos?
Tem-nos sido dito que o nosso funcionamento de ensaios regular nos trás o tocar junto e que isso é positivo e estamos a evoluir de certa forma, mas e o resto?
O que é para voces o resto?

- Será que alguma vêz nos vai ser possível dar o salto em que marcamos um concerto com promoção e bilhetes para o concerto sem estarmos resignados ao subsídio da entidade contratadora e à entrada livre para o público?

- Quais são os nossos principais aliciantes para quem nos vem ouvir?

- Qual será a solução para mantermos a forma, de modo a que não aconteça o que aconteceu dia 14, em que sentimos nitidamente falta de palco? Vamos manter este repertório?

- Quando e como gravaremos um disco?

Esta é a ideia base deste blog. Podem responder (ou não) às questões através do espaço para os comentários neste post ou criar um post novo. Um grande abraço!!

4 Comments:

Blogger Zacarias Selvagem said...

Grande ideia, este blog.
Parabéns, mano!

8:37 da tarde

 
Blogger Coiso&tal said...

Amigos:

Também saúdo este blog, e o seu criador, e espero que se torne num espaço de reflexão e discussão que nos faça avançar como grupo.

Em primeiro lugar, não acho que a actuação de dia 14 seja um exemplo muito típico do que nos acontece em concerto. Olhando para trás com a cabeça mais fria, verifico que foi um mau dia para tocar, o público que costumamos ter não apareceu e não houve muito calor humano. Se calhar também não estávamos muito inspirados e até talvez preparados. Algum excesso de confiança talvez… Lembro-me que há dois anos levámos a nossa apresentação um pouco mais “a sério”, fizemos um recital de aquecimento, etc… Mesmo assim acho que não foi desastroso, há dias piores e dias melhores; fez-me lembrar um pouco um concerto que demos em Tomar, curiosamente começámos com a mesma peça… (feitiço?)

Mudar o repertório? Acho que não. Há que fazer ajustes e balancear melhor as coisas, acho que este repertório tem pernas para andar e correr, acho que não pode ser abandonado ao primeiro percalço! Há que tocá-lo melhor e programar melhor o programa, acho que o que fizemos dia 14 foi fazer tudo soar um pouco igual… e isso em 4 instrumentos iguais é fatal. E 45 minutos sempre a dar se calhar foi um bocado demais…

Música contemporânea? Antiga? Popular? Sinceramente, I don’t give a fuck. Não preciso de etiquetas e agrada-me que sejamos um pouco camaleões, acho que é demasiado limitador especializarmo-nos num tipo ou estilo de música.

O tipo de ensaios acho que realmente funciona para certas coisas, tocamos cada vez mais como uma entidade e isso é muito bom, mas realmente falta o tal resto… Eu também não sei muito bem o que é o resto, sei sim que nós perdemos muito tempo às vezes e as coisas podem ser mais racionalizadas e racionadas também. Às vezes não nos sinto como quarteto nos ensaios, é ridículo que só ao 13º ensaio de uma peça é que eu ouça a bela melodia em acordes de 2 notas (lol) que o meu parceiro do lado está a tocar, enquanto eu toco uma malha difícil. Uma abordagem global, de grupo desde o início é fundamental, como se tivéssemos um maestro. Mas como não temos um, temos que nos safar os 4. Ensaios preparados?

Quanto a manter a forma em cima do palco, tocar mais, gravarmos um CD, etc… Acho que o que nos falta é organização e atitude. Espírito de equipa e divisão de tarefas, estarmos todos no mesmo comprimento de onda em termos de objectivos extra-musicais, termos a noção do que é realmente importante. Precisamos muito de promoção, de nos mostrarmos ao mundo…eheheh. Antes tínhamos o IPAE e pendurávamo-nos nos concertos deles, agora temos o CCB… Mas isso não chega, precisamos de nos mexer e de ir atrás do que queremos. E se não somos nós, temos que nos por de acordo sobre quem será. O site também será uma ferramenta útil, o que é feito dele? Eu sei, são precisos textos, mas serão eles tão diferentes assim dos de um concerto?

Outra coisa, frequentemente desculpamo-nos com o facto de sermos estudantes e não podermos dedicar tanto tempo como desejado ao 4teto, cada vez acredito menos nisso. Quando cada um tiver a sua casa, as compras para fazer, o banco, as finanças, dar aulas, etc., também não vamos ter assim tanto tempo, penso eu de que…

Mas isto já sou eu a delirar…

Digam coisas

Beijinhos

8:31 da tarde

 
Blogger Zacarias Selvagem said...

Viva.
O facto do quarteto ser composto por quatro pessoas com gostos um tanto distintos possibilita essa versatilidade referida nas mensagens anteriores. Acho que temos vindo a fazer um bom trabalho nos diversos estilos musicais que temos vindo a praticar. Acho só é que chegou a hora de deixarmos. O repertório que se aproxima vai possibilitar um programa variado sem ter que recorrer a “hits”. Teremos, de um lado a “vanguarda”, o lado mais sério do nosso programa na (s) obras do Sérgio e do Oppedissano e, por outro lado teremos uma vertente mais ligeira “para a anca” por parte das peças do Dudas, do Silas e do Rodrigo Rios. Falo só no repertório dedicado a nós pois acho que é nele que devemos apostar. É ele, em grande parte, que nos dará identidade, a nossa “landmark”. Não estou a dizer que devemos abandonar o resto. O programa “salada russa” terá que existir na mesma (inaugurações, Nicolas, etc). Simplesmente aspiro a que o possamos deixar de o tocar um dia. No dia em teremos estabelecidos no meio musical nacional (e internacional) como um grande quarteto de guitarras (que já somos…quase). Nesse dia, as pessoas quererão assistir aos nossos concertos para ouvirem como tocamos bem, para ouvirem a nova musica que tocamos (porque mais ninguém a toca e assim ela não chega a ninguém) e não simplesmente por curiosidade ou por “eles são porreiros, vamos vê-los tocar porque têm umas camisas muito giras”. Eu sei que esse dia não está muito longe. Pensemos então. Cada vez que tocamos para o Dejan ele não se cansa de nos elogiar. Óptimo. Ficamos todos felizes. Mas se pensarmos sabemos que podíamos fazer sempre muito melhor. Como? Fazendo coisas simples como estudar bem para os ensaios, sermos rigorosos com a pontualidade, cumprir o plano de ensaio que foi apresentado na semana anterior (e que todos concordaram), fazer as tarefas que foram destinadas a cada um, ter ideias (como este blog, que nos trará frutos, com certeza), combinar aulas com vários professores (IMPORTANTÌSSIMO), arranjar maneira de tocar (rodar) com mais frequência (temos mais do que possibilidades de o fazer se contarmos com o Piaget, Linda-a-Velha, ESML), utilizar as ferramentas que nos são fornecidas nas aulas que temos em conjunto (ou seja, não aplicar certas ideias só nas peças que trabalhámos na aula/ curso), etc. Temos que nos preocupar um pouco mais com o nosso marketing. Temos que por a página online e temos que ter (com a máxima urgência) um registo discográfico para ser apresentado junto com as nossas propostas de concerto. Penso que isso dará mais credibilidade ao nosso grupo e isso poderá dar azo a apresentações além-fronteiras. Penso que, para esse efeito, podemos aproveitar a maqueta que vem a caminho e juntar-lhe mais alguma coisa.
Voltando um pouco atrás, ao assunto de “estudar para os ensaios”; não me interpretem mal mas todos sabes que, ser perdermos 10/20 minutos por dia com o repertório do quarteto, as coisas vão tomar outro rumo. Qualquer um de nós toca, diariamente, coisas bem mais complicadas de montar do que as partes individuais do nosso repertório. Assim, há uma coisa que temos de ter em consciência: não subestimar as coisas só porque são fáceis. Os ensaios deveriam servir para montar a obra e discutir ideias de interpretação e não para se estudar as partes individuais. Desculpem estar a bater sempre na mesma ttttttteeeeecccccllllllaaa mas acho que isso é muito importante se quisermos “por isto a andar”. Como viram no domingo passado, o LAGQ toca muito bem, verdade. Tirem o concerto Brandeburguês e digam-me se 60/70% daquilo que eles tocam é muito difícil? Não é!!!!!!!!! Não se iludam. Eles fazem é com que aquilo soe muito bem porque têm aquilo a 200%. Está nas mãos e o facto de estar bastante sólido tecnicamente faz com que possam desfrutar daquilo que estão a tocar. Desculpem se estou a sonhar, mas os sonhos… esses ninguém mos tira.
Abraços

2:04 da tarde

 
Blogger Daniel said...

Meus amigos, amei os vossos comentários!!!
Concordo com practicamente tudo,não discordando com nada em particular. Apenas gostaria de fazer um ou dois acrescentos, ou talvez ressalvas ao que já foi dito:
Acho que o nosso caminho em relação a aulas com outros professores poderia continuar com toda a certeza porque ainda temos muito para aprender, mas só depois de pormos em práctica o que aprendemos nos últimos tempos com as aulas que tivemos. Dê por onde der acho muito importante mudar a nossa atitude em relação à forma como atacamos e montamos as peças. Funcionamos de uma forma ainda muito intuitiva. Não deixa de me perecer muito boa a ideia de pelo menos quando necessário alguém preparar ensaios.
Quanto ao resto das questões que lancei no post, a maior parte apenas o fiz por uma questão de reflexão, não com uma opinião formada em relação ao assunto. Obrigado pela atenção dada às mesmas!!!
Abraços

3:02 da tarde

 

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